Cross Trade (Back to Back): como funciona essa operação em três países

No comércio internacional, uma modalidade pouco conhecida, mas altamente relevante para muitas empresas, é a operação Cross Trade, também chamada de Back to Back.

Essa forma de negociação rompe o modelo tradicional de importação e exportação direta, envolvendo três países em uma mesma transação comercial. Embora possa parecer complexa à primeira vista, ela representa uma ferramenta de eficiência e flexibilidade.

A essência da operação Cross Trade está em permitir que uma empresa realize compra e venda internacional sem a mercadoria transitar fisicamente pelo seu país. Trata-se de uma operação que exige organização, domínio documental e coordenação logística precisa, oferecendo vantagens importantes quando bem estruturada.

O que é Cross Trade ou Operação Back to Back?

Nada mais é do que uma operação que envolve três países distintos. A empresa brasileira compra mercadorias de um fornecedor no exterior e as revende a outro importador estrangeiro, sem que os bens passem pelo Brasil.

É importante destacar que a empresa brasileira, o fornecedor e o comprador estão em países distintos, caracterizando uma operação triangular no comércio internacional.

Ou seja, o fornecedor entrega o produto diretamente ao comprador, enquanto a empresa brasileira intermedeia toda a negociação sem que o bem passe pelo Brasil.

Como funciona a operação Cross Trade (Back to Back)?

Para melhor explicar como funciona a operação Cross Trade (Back to Back), vamos colocar aqui exemplo prático:

  • Uma empresa brasileira compra um produto de um fornecedor nos Estados Unidos.
  • Em vez de importar a mercadoria para o Brasil, a empresa brasileira solicita que o fornecedor americano envie o produto diretamente para seu cliente localizado no Peru.
  • O pagamento, no entanto, é intermediado pela empresa brasileira, que recebe o valor do comprador final (importador peruano) e paga o fornecedor (exportador americano).

Como visto, neste caso há três países distintos envolvidos:

  • País de origem, onde o fornecedor está localizado (USA);
  • País intermediário, onde está localizada a empresa que compra e revende a mercadoria (Brasil);
  • País de destino, onde o comprador final recebe a mercadoria (Peru).

A empresa brasileira não recebe fisicamente a mercadoria, mas assume a posição de compradora perante o fornecedor e de vendedora ao importador. Essa triangulação comercial é o que caracteriza a operação Cross Trade (Back to Back).

Estrutura documental e fluxos financeiro e logístico da operação

Na Operação Cross Trade (Back to Back) cada ponta da operação precisa ser formalizada de modo independente.

Em geral, são emitidas duas faturas comerciais (Commercial Invoice):

  • Uma do fornecedor (exportador) para a empresa intermediária (empresa brasileira);
  • Outra da empresa intermediária para o comprador final (importador).

A empresa intermediária, além de emitir a fatura comercial para a empresa importadora, emitirá também o Packing Lista da mercadoria revendida por ela, encaminhando também o conhecimento de embarque original, que deverá ser endossado pela empresa brasileira, transferindo desta forma todos os direitos inerentes à posse da mercadoria ao comprador final.

Vale ressaltar que, para que a empresa brasileira possa endossar o conhecimento de embarque, ele terá que ser emitido à ordem “To Order” ou à ordem de “To Order Of” no campo destinado à identificação do consignatário “Consignee”, o que permitirá a transferência de titularidade da carga, caso contrário, o conhecimento de embarque não é negociável, portanto, não pode ser endossado.

Com a documentação completa, o comprador final providenciará a entrada do processo de despacho aduaneiro da mercadoria importada em seu país.

Em relação ao valor de venda da mercadoria pela empresa intermediária ao seu cliente (importador), esta será naturalmente superior ao valor de compra junto ao fornecedor internacional, representando assim a margem de lucro da operação, ou seja, o ganho financeiro da empresa brasileira.

No aspecto financeiro, os pagamentos também são independentes:

  • O comprador final (importador) paga a empresa intermediária de acordo com as condições comerciais pactuadas.
  • A empresa brasileira efetua o pagamento ao fornecedor internacional conforme os termos acordados.

A empresa brasileira coordena diretamente com o fornecedor internacional o fluxo logístico, mediante instruções de embarque.

Quais impostos são pagos em uma operação de Cross Trade (Back to Back)?

Por se tratar de uma operação meramente financeira, na operação Cross Trade (Back to Back) não há o pagamento dos impostos comuns de uma operação de importação e exportação, como:

  • Imposto de Importação (II);
  • Imposto de Exportação (IE);
  • Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS);
  • Pis/Pasep-Importação;
  • Cofins-Importação.

Porém, é preciso efetuar o recolhimento do PIS e da COFINS sobre o valor de venda do produto entre a empresa brasileira (negociadora/intermediária) e o comprador final localizado no exterior (real importador), além do pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) sobre o lucro da operação.

Vantagens dessa operação

A principal razão para o uso da operação Cross Trade (Back to Back) é otimizar custos e prazos.

Se uma empresa tem clientes em outros países, pode ser mais eficiente enviar a mercadoria diretamente do fornecedor internacional ao país de destino, sem passar pelo país da empresa intermediária, isso reduz consideravelmente o prazo de entrega da mercadoria, afinal, o produto sairá direto do fornecedor internacional com destino ao país do comprador final, ou seja, o real importador.

Há ainda a redução de gastos com transporte, armazenagem, desembaraço aduaneiro e impostos que incidiriam em uma operação de importação e exportação (quando aplicável), além de encargos aduaneiros, que neste caso não existem.

Outra vantagem é a possibilidade de negociar com maior flexibilidade, uma vez que a empresa brasileira pode centralizar suas compras em um país com melhor poder de barganha, enquanto atende a clientes distribuídos em outros mercados.

Assim, mantém-se o controle financeiro e comercial das operações, mesmo que as mercadorias nunca entrem fisicamente em seu território.

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